O tráfico de pessoas é um problema real e contemporâneo, configurando-se como uma verdadeira indústria criminosa que movimenta bilhões de dólares todos os anos. Aliciadores de diversas partes do mundo se aproveitam de indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, os quais, devido à precariedade de suas condições de vida, acabam aceitando falsas promessas de emprego, estabilidade ou melhoria financeira. Dessa forma, muitas vítimas são recrutadas e submetidas a condições degradantes de subsistência, frequentemente privadas de liberdade e sem perceber, tornam-se parte do ciclo do tráfico humano.
Nesse contexto, torna-se essencial analisar as formas de recrutamento utilizadas por organizações criminosas, especialmente aquelas que envolvem o ambiente digital. Redes sociais e aplicativos de relacionamento passaram a funcionar como vetores ativos para o aliciamento de pessoas por meio da internet, facilitando o contato direto entre criminosos e potenciais vítimas. Assim, surge a ideia do “Algoritmo do tráfico”, uma expressão que representa o modo de operação do aliciamento via web, potencializado pela exposição de dados pessoais, pela manipulação psicológica e pela facilidade de comunicação, atraindo vítimas de forma crescente nos últimos anos.
Como funciona o algoritmo?
É importante ressaltar que o algoritmo citado não é criado de maneira aleatória, sendo uma combinação de fatos existentes no ambiente virtual. A situação de vulnerabilidade portanto é o fator primário para essa condição, de modo que os criminosos utilizam uma determinada lógica para encontrar os alvos, baseando-se assim principalmente em três fatores:
- Vulnerabilidade econômica: caracterizada pela postagem de desemprego, falta de oportunidades e decadência;
- Vulnerabilidade emocional ou familiar: indivíduos que expressam algum tipo de isolamento ou incompatibilidade com a realidade social e baixa autoestima, principalmente jovens e adolescentes;
- Desejo de migração: pessoas que demonstram em suas postagens a vontade de viajar, trabalhar ou estudar no exterior.
A abordagem do aliciador
Esses três fatores supracitados são importantes para que o aliciador tenha plenas condições de barganha com a vítima, oferecendo soluções imediatistas, e falsas, para as questões apresentadas. Uma vez feita a identificação da pessoa vulnerável, o aliciador utiliza de métodos personalizados que tornam a abordagem aparentemente humana e segura para a vítima, uma vez que há a promessa de uma vida melhor, um emprego melhor e algumas vezes até uma promessa romântica.
O criminoso mantém sua retórica até determinado ponto, pois quando se sente seguro para uma abordagem mais intimista e violenta transicional para a parte da exploração de fato. É de suma importância destacar que, a vítima nesse cenário muitas vezes não possui plenas condições de defesa, já que nessa etapa do processo encontra-se muitas vezes longe de casa, de familiares e amigos, estando em um lugar desconhecido as formas de defesa são limitadas. Métodos mais agressivos são usados pelo aliciador a partir daí, como por exemplo:
- retenção de documentos;
- ameaças à família;
- ameaças à vida da vítima.
Como se proteger
A pergunta passa a ser, portanto: Como se proteger mediante a real possibilidade de ser vítima de tal realidade? A resposta para tal questionamento passa primeiramente pelo pleno conhecimento da situação, uma vez que grande parte da população não conhece o tráfico de pessoas e seus desdobramentos, tornando-se quase impossível a identificação dessas situações em acontecimentos cotidianos. Em segundo plano, cuidados precisam ser tomados em ambientes virtuais, de forma que se deve:
- evitar exposições demasiadas acerca da vida e estado pessoal;
- desconfiar de situações que envolvam salário muito acima da média;
- desconfiar de facilidades de imigração e trabalho para outros países;
- verificar a situação jurídica das supostas empresas ou pessoas que prometem determinado bem ou serviço, como verificação de CNPJ, reputação em redes sociais e principalmente o network com outras pessoas que também têm ou tiveram contato com a mesma empresa ou indivíduo.



